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Pirataria de software: alguns debates

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Cezar TaurionUm assunto que volta e meia aparece na mídia é o da pirataria de software. Bem, gostaria de debater com vocês algumas das minhas idéias sobre o assunto. Mas, antes, como é um tema meio “complicado”, quero deixar claro que vou expressar minhas opiniões pessoais, que não necessariamente representam a opinião da IBM. Aliás, aproveito para enfatizar que todos os posts deste blog expressam minha visão pessoal, não sendo estas necessariamente as mesmas do meu empregador.

O próprio termo pirataria de software gera controvérsias. Alguns afirmam que o termo é impróprio pois uma cópia não autorizada de um software não é um ato violento como os comumente associados aos piratas. A terminologia mais precisa e menos melodramática, segundo estes críticos seria portanto “cópia não autorizada”.

De qualquer maneira volta e meia surgem campanhas anti-pirataria e organizações como a BSA afirmam que a pirataria ou cópia não autorizada seria um dos maiores problemas da indústria de software, causadora de um prejuízo de dezenas de bilhões de dólares por ano.

Por outro lado, alguns analistas de indústria sugerem que estes valores estariam sendo superestimados, porque muitos usuários das cópias ditas piratas e contabilizadas no cálculo do prejuízo, não usariam o software caso tivessem que pagar por eles. Este fato aconteceria principalmente nos países de menor poder aquisitivo, onde o valor de uma cópia de software excede em muito a capacidade de dispêndio de um usuário típico. Outro argumento comumente usado nas campanhas anti-pirataria também é questionado por estes críticos: o uso de cópias não autorizadas não reduziria empregos e inovações, mas o efeito seria o contrário, uma vez que usuários e pequenas empresas que usam estes softwares (que não teriam acesso caso fossem pagos) aumentam a eficiência de suas operações, melhorando o desempenho da economia, consequentemente gerando mais renda e empregos.

Alguns chegam a argumentar que a pirataria seria até benéfica para alguns fornecedores de software de massa, pois cria uma base de usuários muito grande, gerando hábitos de uso, formando uma barreira de entrada muito elevada, impedindo a adoção de produtos substitutos, como alguns softwares Open Source.

Enfim, existem argumentos dos dois lados e sem tomar partido ou levantar a bandeira da ilegalidade, com o qual não concordo, vamos debater a questão de forma racional, sem emotividades.

Primeiro, porque existem tantas cópias piratas? Bom, um facilitador é a facilidade de se copiar software, pois a gravação de CDs contendo todo um sistema operacional é fácil e barato. E um único conjunto de CDs pode ser usado para instalar o software em dezenas de máquinas. A cópia via Internet, principalmente usando-se recursos como P2P, também é outro meio barato e rápido.

Mas o que impulsiona as cópias não autorizadas, na minha opinião, é o baixo valor percebido do software por parte dos seus usuários. Se olharmos uma suite de escritórios como o Office, por exemplo, veremos que uma grande parcela de suas funcionalidades não é usada ou não gera real valor para a maioria dos seus usuários. Como estas funcionalidades aumentam o preço, o usuário não se sente motivado a pagar por algo que não usará ou lhe trará benefícios visíveis. É uma situação que chamamos de excesso de capacidade, quando as funcionalidades embutidas excedem a capacidade de uso dos seus usuários típicos.

De maneira geral a maioria dos usuários não autorizados são usuários domésticos ou pequenas empresas, que usam apenas as funções básicas do software. Um aluno de uma universidade, por exemplo, precisa de um editor de textos para digitar seus trabalhos e nem sempre o utiliza diariamente. Para ele um uso esporádico de funções básicas não justifica o alto valor cobrado por funcionalidades não utilizadas.

Outro aspecto que devemos analisar é quem são os tais “piratas”? Bem existem os que copiam software para seu uso pessoal, como usuários domésticos que precisam usar esporádicamente um editor de textos para desenvolver um trabalho escolar ou um simples curriculum vitae. Mas, existem também os que se beneficiam financeiramente (e não contribuem com impostos para o país) de cópias não autorizadas, vendendo-as a preços bem menores que os do produto original. No primeiro caso, não acredito que estes usuários causem prejuizos às empresas de softwares, pois eles não comprariam mesmo o produto. Usam porque seu custo de aquisição é zero...Por outro lado os comerciantes ilegais usufruem financeiramente da cópia não autorizada e burlam os mecanismos fiscais.

OK, copiar de forma não autorizada é uma violação das leis...Mas, antes de buscar punições e explorações midiáticas de usuários pegos com cópias piratas, talvez seja melhor encontrar soluções que minimizem o problema, enfrentando de forma adequada a situação. Para mim, está claro que o modelo comercial vigente adotado pelos produtores de softwares de massa incentiva (embora indiretamente) a pirataria. Para combate-la é necessário rever o modelo...

E que pode ser feito para impedir ou minimizar o hábito (já arraigado...) de cópias não autorizadas?

Uma alternativa seria que o preço dos softwares sejam ajustados as necessidades dos usuários. Um usuário doméstico, que utiliza as funções básicas de uma suite de escritórios esporádicamente paga por todas as funcionalidades nele embutidas e não utilizadas. Mas, a solução mais adequada para o mercado de softwares de massa, como suítes de escritório, seria a adoção intensiva de alternativas Open Source. O mercado atual dispõe de excelentes substitutos ao pacote Office, como o Google Docs, o OpenOffice e a suíte gratuita Symphony da IBM.

Na minha opinião o movimento Open Source é um risco muito maior para as empresas de software de massa baseadas em modelos de negócio proprietários que a própria pirataria. Uma cópia não autorizada aumenta a externalidade de rede (mais usuários geram mais interesse em novos usuários adotarem o mesmo software), enquanto que um substituto Open Source quebra este modelo. Daí que durante muito tempo os esforços de pressão e propaganda (FUD) de determinadas empresas de software foram muito mais direcionados a combater o crescimento do Open Source que combater a pirataria.

Outro dia vi um post muito interessante do Bob Sutor, VP de Open Source da IBM que discutia o assunto Open Source e pirataria. O endereço do seu blog é www.sutor.com/newsite/blog-open.

Seu argumento é o seguinte (e vou copiar aqui o texto do blog dele, que é muito interessante):

“Suppose that it is 100% guaranteed that you could not pirate proprietary software. In that case the price of the software would very much factor into the TCO calculation. Given the existence of “good enough” open source competitors, the proprietary software would need to offer significant advantages in terms of price, quality, features, security, ease of use, upgrade policies, support, and service. In turn, however, open source software would evolve to keep pace with the proprietary software. Whether you think open source or proprietary software wins in this case, the consumer of the software comes out ahead.

On the opposite end, assume that piracy is rampant and use of stolen software carries no consequences. Then all software is “free” and price is no longer part of equation of how users decide what to use. The other factors such as quality, ease of use, and security become much more relevant. Once again, competition improves both kinds of software and consumers win again. Unless they have other sources of income, providers of proprietary software will probably not stay in business very long in this scenario.

Life in the software world doesn’t exist at either of these extremes and there is a lot one could argue about the freedoms afforded by free and open source software. In practice today, I think the balance and competition between proprietary and open source software is improving software in general and driving innovation.”.

E finaliza com algumas questões:

“. How much is anti-piracy enforced in areas that are seeing adoption growth of open source software?

. Have some vendors and their surrogates adopted an attitude of “we don’t like that they steal our software, but we would rather they used our software than someone else’s, including open source?

. Are we seeing measurable movement to or from open source when piracy increases or decreases?”.

Enfim, são questionamentos bem interessantes e acho que vale a pena pensarmos um pouco mais no assunto…

 

Cezar Taurion - Gerente de Novas Tecnologias - IBM

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