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08/02/2010
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Home Notícias Software Livre Afinal: O que fomos fazer em Genebra ? e OpenXML: De volta ao início

Afinal: O que fomos fazer em Genebra ? e OpenXML: De volta ao início

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Desde que foi publicado na tarde de hoje um post no blog do Rob Weir (um dos membros da delegação americana) tratando sobre mapeamento dos dados binários, já recebi telefonemas e e-mails de colegas que participaram das discussões sobre o tema no Brasil me perguntando o motivo pelo qual o Brasil não apresentou uma proposta para isso lá. Esta foi uma das coisas que nos comprometemos a fazer em Genebra, mas gente… simplesmente não deu.

O mapeamento nada mais é do que um documento que explique como traduzir corretamente os dados armazenados no formato antigo (binários como .doc, .xls e .ppt) para o novo formato proposto (.docx, .xlslx e .pptx). A importância disso é que diversos conversores de documentos poderão gerar documentos mais similares, traduzindo adequadamente os dados antigos para os novos. Além disso, este documento permite a identificação clara de atributos que não podem ser traduzidos (por motivos técnicos) e que precisam ser preservados. Tudo isso faz parte da idéia mais básica do OpenXML, um formato de documentos editáveis (como o ODF) com suporte ao legado (o ECMA alega que este suporte ao legado é o que o diferencia do ODF e por isso torna-o necessário).

Como não posso comentar nenhum detalhe sobre a reunião, não posso explicar os detalhes do  que aconteceu mas tenho o dever de dar uma resposta aos que trabalharam com o tema aqui na ABNT: “Não deixaram o Brasil apresentar sua proposta sobre o mapeamento”.

Não posso contar os detalhes da reunião, mas posso contar uma conversa que tivemos (eu e mais um delegado brasileiro) com uma pessoa no início da pausa para o almoço de sexta feira. Vou divulgar esta conversa pois nosso interlocutor se identificou como sendo membro do ECMA, membro de uma delegação nacional presente no BRM mas não disse que estava falando em nome de ninguém (como é o protocolo lá), e por isso entendo que esta foi uma conversa que não está coberta pela escandalosa “Lei do Silêncio” imposta a todos nós.

Esta pessoa nos procurou dizendo que considera que não deveríamos apresentar nossa proposta que pedia o mapeamento, pois não havia tempo hábil  na reunião (pouco mais de três horas) para escrevermos o documento. Nós dissemos que nossa proposta partia da premissa de que o ECMA já tinha este documento, pois, se justifica a necessidade do OOXML por causa do suporte ao binário e se afirma ainda que existem coisas que não podem ser traduzidas (deprecated), eles devem ter estudado aprofundadamente esta situação e no mínimo ter feito o mapeamento.

Eu nunca vi uma pessoa tão nervosa e envergonhada na minha vida… Ele disse que  a Microsoft deve ter este mapeamento e se nós quisermos, podemos pedir à Microsoft mas não pedir ao ECMA. Disse que o ECMA só foi responsável por criar o novo schema XML e que não têm esta documentação.

Como nossa conversa não ia a lugar nenhum, eu lhe expliquei que o que iriamos propor era o resultado do trabalho de um comitê no Brasil e que infelizmente se ele não pudesse voltar ao tempo e vir ao Brasil contar esta história toda, que teríamos que insistir com nossa proposta.

Fiz questão de contar isso aqui, pois não deixaram o Brasil apresentar a proposta…

Se o ECMA não têm o mapeamento, alguém ai consegue me explicar:

1 - Como eles afirmam que o OpenXML é 100% compatível com o legado ?

2 - Como eles afirmam que o OpenXML não é um overlap 100% do ODF, se não estudaram aprofundadamente o suporte ao legado ?

3 - Como eles afirmam que existem elementos “deprecated” que não podem ser traduzidos para XML e devem ser mantidos?

4 - Como eles fazem o mundo inteiro perder um ano, milhões de dólares e tempo de muita gente que seria mais produtiva fazendo outras coisas para discutir uma proposta dessas, sem que a base mais elementar dela seja sólida ?

Para terminar, como protesto, um trecho de uma música do  Peter Gabriel, sobre Biko:

 ”You can blow out a candle, but you can’t blow out a fire”

Que alívio… Vou dormir minha primeira noite em paz com minha consciência desde sexta feira…

Filed under: BRM, OOXML Article tags: OOXML BRM Geneva Mapping Genebra Mapeamento

Por Jomar Silva
http://homembit.com/2008/03/afinal-o-que-fomos-fazer-em-genebra.html 

Qualquer filme de ação ou de terror de quinta categoria ensina a todos nós uma lição importante desde que somos crianças:

Nunca deixe “supostos mortos” para trás, pois eles se levantam e te atacam de novo…

Por incrível que pareça, tem gente que não aprende mesmo essa lição. Vamos aos fatos:

No início do processo de avaliação do OpenXML na ISO, duas questões tomavam conta de grande parte dos debates:

1 - O OpenXML sobrepõe o ODF (ISO/IEC 26300) ? (apelidada de “overlap com o ODF”)
2 - Como ficam as questões de IPR (propriedade intelectual) da especificação ? Isso está realmente resolvido ?

Durante o período inicial de apresentação de contraditórios, os dois assuntos foram apresentados e rebatidos (muito mal) pelo ECMA, e mesmo assim foi aberto o prazo de seis meses para a análise e votação. O resultado da votação, um sonoro NÃO ao OpenXML ainda nos presenteou com alguns questionamentos sobre o overlap e sobre IPR como comentários dos votos.

Novamente o ECMA respondeu a isso (novamente muito mal) e para se desviarem do debate, conseguiram eliminar estes dois assuntos do BRM (afinal, explicar o inexplicável é chato mesmo…).

Meu post anterior, demontra claramente que o OpenXML é um enorme overlap com o ODF. Se um membro do ECMA assume que a entidade não possui o mapeamento do legado e que simplesmente “desenvolveu o novo schema XML”, assume indiretamente que nunca analisou esta questão a fundo. Quando diz “peçam isso à Microsoft”, assume ainda que eles realmente confiam na Microsoft a ponto de não terem nem solicitado deles a comprovação de suporte ao legado.

Em resumo, sem o mapeamento e com a confissão do membro do ECMA, o OpenXML é sim um overlap com o ODF. Se quiser saber a justificativa disso, leia aqui.

Se olharmos atentamente ao FAQ do BRM, vamos ver um trecho muito interessante que explica o motivo pelo qual problemas de propriedade intelectual (IPR) não puderam ser tratados no BRM:

4.1 Will IPR issues be discussed at the BRM?

No. IPR issues in this process are the exclusive preserve of the ITTF. IPR decisions have previously been delegated by all the ISO and IEC members (NBs) to the CEOs of IEC and ISO, and they in turn have examined them and found no outstanding problems. NBs seeking reassurance in such matters must pursue them through other avenues than the BRM.

 

As questões de propriedade intelectual não puderam ser debatidas no BRM e não foram sequer discutidas em muitos países pois o ITTF e os CEOs da ISO e do IEC avaliaram isso e não encontraram nenhum problema (e claro, eles têm credibilidade).

O que acontece é que o Software Freedom Law Center, uma entidade que fornece suporte jurídico ao avanço do software livre, fez uma análise da Open Specification Promisse (OSP) da Microsoft sobre o OpenXML e concluiu algo bem interessante:

“O OpenXML não pode ser utilizado com segurança por nenhum Software Livre.”

O relatório detalhado deles está disponível aqui, e diversos comentários sobre isso podem ser encontrados aqui.

O que mais me intriga, é o tipo de análise que foi feita pelo ITTF, e por isso deixo desde já duas sugestões de perguntas ao ITTF:

1 - Por quê o ITTF não encontrou este problema ?

2 - Onde está o relatório com a análise formal do ITTF sobre o tema ? (se assume que este relatório existe, uma vez que o FAQ do BRM afirma que o ITTF efetuou a análise).

Além disso, deixo ainda uma terceira pergunta a todos os NBs:

1 - Seus advogados e especialistas em propriedade intelectual analisaram este problema ? A OSP é válida em seu país ?

Pode parecer piada, mas bem agora na reta final de avaliação do OpenXML estamos todos sendo obrigados a analisar aquilo que primeiro analisamos na norma, o overlap com o ODF e questões de IPR.

Antes de finalizar, gostaria apenas de deixar mais uma lição aprendida nos filmes de terror e ação, e esta involve velocidade:

“Quando quiser atropelar para matar, não esqueça de voltar e se certificar de que está morto…”

Atropelaram estes dois temas lá no início e agora estão sendo perseguidos por ZUMBIS !!!

E olha que “ZUMBIS NA ISO” dá um bom nome para filme de terror (mesmo que de quinta categoria).

Filed under: OOXML Article tags: OOXML OpenXML IPR
 
Por Jomar Silva 
http://homembit.com/2008/03/openxml-de-volta-ao-inicio.html 

 

 

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